Conta-se que, em uma cidade litorânea do sul da Bahia, havia um prefeito apaixonado por flores, jardins e praças. Todos os dias ele percorria a cidade admirando os canteiros coloridos, os bancos recém-pintados e os enfeites espalhados pelas ruas. A cada nova praça inaugurada, promovia uma grande festa.
Os viajantes sofriam para passar. Os médicos não tinham remédios para atender os doentes.
Os postos de saúde estavam sucateados.
As escolas envelheciam sem manutenção, e as crianças recebiam uma merenda cada vez mais pobre.
Pelas ruas, o lixo se acumulava e se espalhava, comprometendo a saúde pública e a qualidade de vida da população.
Os conselheiros alertavam:
— Prefeito, a cidade está adoecendo.
Mas o gestor respondia:
— Vejam como a praça está bonita! Não é isso que o povo quer ver?
E assim a população foi aprendendo uma dura lição: uma cidade pode até ganhar flores e novos enfeites, mas nenhum canteiro tapa buracos, nenhuma praça recolhe o lixo acumulado, nenhuma pintura substitui remédios, nenhuma reforma paisagística recupera postos de saúde, nenhuma obra ornamental melhora a merenda escolar e nenhum jardim resolve os problemas da infraestrutura.
É impressionante a disposição que alguns gestores demonstram para construir praças e enfeitar a cidade. Curiosamente, essa mesma energia desaparece quando o assunto é enfrentar os problemas reais que afetam o dia a dia da população.
Porque governar não é apenas deixar a cidade bonita para fotografias. É manter as ruas limpas, cuidar da saúde, da educação e da infraestrutura, garantindo dignidade a quem vive nela todos os dias.
No fim das contas, o povo não mora nas inaugurações. Mora na realidade.


