Fala Manoelito
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Whisky, holofotes e vaidade: A Fábula de um prefeito de uma cidade litorânea do Sul da Bahia


Conta a lenda que existia um pavão muito vaidoso, prefeito de uma certa cidade litorânea do sul da Bahia. Seu maior talento não era resolver problemas, inaugurar obras ou enfrentar desafios da administração. Seu verdadeiro dom era aparecer.

Quando havia festa, lá estava ele. Quando havia palco, ele surgia. Quando havia música, dançava. Quando havia câmera, fazia pose. E, se aparecesse uma garrafa de whisky, melhor ainda.

O pavão sonhava com uma grande celebração. Imaginava-se cantando, dançando, brindando e sendo fotografado de todos os ângulos possíveis. Já conseguia até ouvir os aplausos e ver os flashes iluminando suas penas.

Mas eis que a realidade bateu à porta.

As dificuldades da cidade se acumularam, os problemas ficaram visíveis demais e a tão sonhada festa precisou ser deixada de lado.

Foi então que o pavão mergulhou numa profunda tristeza.

Não porque a população perderia um momento de lazer. Não porque comerciantes seriam prejudicados. Não porque a cidade enfrentava desafios urgentes.

Sua verdadeira dor era outra.

Quem iria fotografá-lo?

Onde encontraria tantos flashes?

Quem assistiria aos seus passos de dança?

Quem ouviria suas canções improvisadas?

Naquela noite, dizem que ele caminhou sozinho diante do espelho, segurando uma garrafa vazia e admirando as próprias penas, lamentando a oportunidade perdida de ser a principal atração do espetáculo.

E a moral da história ficou para todos os habitantes daquela certa cidade litorânea do sul da Bahia:

Há governantes que administram pensando no futuro. Outros apenas sofrem quando o palco fecha e os holofotes se apagam.

Créditos: Soraya Lisboa.

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