Fala Manoelito
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A Parábola da Praça Vazia e da Festa que Não Veio


Conta-se que existia uma cidade onde o povo aguardava ansiosamente a chegada dos festejos juninos. Durante meses, ouviram promessas de que seria uma celebração espetacular, digna das melhores tradições, algo de excelência que valorizaria a cultura e aqueceria a economia local.


Animados, os comerciantes reforçaram seus estoques, ambulantes se prepararam para trabalhar, famílias organizaram suas roupas de xadrez e as crianças sonhavam com as quadrilhas e as noites iluminadas. Afinal, a festa prometida representava muito mais do que diversão; era esperança de renda, encontro entre amigos e preservação das tradições.


Mas os dias passaram, e a grande festa nunca aconteceu.


A frustração tomou conta da cidade. Nem mesmo os festejos nos bairros, que há anos eram uma tradição e levavam o São João para mais perto do povo, foram realizados. As praças permaneceram silenciosas e a população, mais uma vez, ficou sem aquilo que lhe havia sido anunciado.


Entretanto, corria pela cidade a notícia de que o governante havia realizado sua própria celebração. Em um lugar reservado e distante da população, aconteceu uma festa grandiosa, com bandas, fartura de comes e bebes e convidados especiais. Enquanto o povo via suas expectativas se desfazerem, poucos desfrutavam daquilo que muitos haviam esperado.


Sem encontrar em sua própria terra o clima junino que tanto amavam, os moradores começaram a buscar nas cidades vizinhas aquilo que lhes faltava. E, curiosamente, entre os visitantes estavam também assessores, amigos e pessoas ligadas ao próprio governo, todos aproveitando as festas que outros municípios tiveram o cuidado de promover.


Ao ver a movimentação, um velho morador disse:


— Quando uma cidade deixa de celebrar com o seu povo, o povo celebra em outro lugar. E quando os próprios governantes procuram fora a alegria que não proporcionaram dentro de casa, é sinal de que a promessa foi maior que o compromisso.


Moral da história:


Prometer grandes festas e entregar frustração é decepcionar não apenas quem esperava se divertir, mas também quem contava com a tradição, a cultura e a movimentação econômica. Porque uma cidade sem São João não perde apenas uma festa; perde parte da sua identidade. E quando o povo é esquecido, a alegria sempre encontra outro endereço.


Créditos: Soraya Lisboa


Manoelito Puentes - DRT 6455

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